Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semi-árido- P1MC
[2008-06-05]

Em alternativa a cultura do Estado brasileiro de realização de políticas no semi-árido sobre a ótica do combate aos efeitos da seca, a ASA( Articulação do Semi- Árido Brasileiro) vem contribuindo para a construção do conceito de convivência com o semi-árido. É a partir desse conceito que se constrói o Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o semi-árido - Um milhão de cisternas rurais (P1MC), no qual a tecnologia de captação de água de chuvas representa uma ferramenta que contribui para a mobilização e emancipação sócio-política de famílias que sofrem dificuldades de acesso a água potável. Alguns de seus principais componentes de ação: 1- Mobilização das famílias atendidas no fortalecimento dos fóruns locais e regionais de decisões políticas e controle social; 2- Formação para gestão dos recursos hídricos e convivência com as condições do semi-árido. 3- A construção de cisternas de placas com envolvimento de pedreiros locais e das famílias beneficiadas. O Centro Terra Viva participou da gestação do P1MC através de suas contribuições no fórum de organizações que compõe a ASA no qual participou como coordenação durante 04 anos. Sua consolidação como Unidade Gestora Microrregional do P1MC se deu em 2003 no início da execução do Programa. No que se refere à construção do programa, o Centro Terra Viva tem participado da formulação e das articulações e mobilizações para sua implantação e continuidade. Na microrregião em que atua são 16 municípios beneficiados e mais de 5 mil famílias atendidas. Esse programa acontece com o financiamento de várias instituições e órgãos, são eles: OXFAM-BLF, MDS, INCRA e FEBRABAN.Todos os financiadores e envolvidos podem monitorar a execução do Programa através do SIGA-programa que consolida todas os dados desde a seleção das famílias até a conclusão da construção das cisternas. O acesso à tecnologia simples e de baixo custo para captação de água de chuvas, através do telhado e armazenamento em cisterna de 16 mil litros, promove impactos na qualidade de vida das famílias possibilitando mudanças na saúde, expressa na diminuição de doenças causadas pelo uso de água de fontes não potáveis, e a diminuição do esforço diário para milhares de famílias que buscavam a água em locais muito distantes de suas casas. À distância para se buscar água de beber e cozinhar implica em grande esforço físico e absorção de tempo comprometendo assim as atividades de produção e geração de renda para subsistência familiar. Com a conquista da cisterna construída próxima a sua casa, tem-se observado e comprovado através do monitoramento participativo realizado em 2007 uma diminuição no trabalho árduo das mulheres, homens, jovens e crianças em suas jornadas diárias. Outro elemento fundamental de emancipação dessas famílias além da libertação do carro-pipa é a inserção e participação em espaços de discussões locais e regionais como as associações comunitárias, os fóruns municipais de controle social e as articulações que envolvem a defesa e a construção de políticas públicas para o semi-árido em suas microrregiões.

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